sexta-feira, 26 de junho de 2015

Alunos da EM Stephânia prestigiam o espetáculo "O Crivo"

O Crivo
Risos, burburinhos. Inquietação. Silêncio... Silêncio. Aplausos. Atenção. Aplausos! 
Essa foi a passagem dos alunos da Esc Mul Stephânia Alves Bispo pelo espetáculo de dança O Crivo, criação de João Paulo Gross, bailarino da Quasar Cia de Dança. Nessa representação, tocamos com olhos curiosos os movimentos daquela Arte até então desconhecida ou brevemente conhecida há tempos imemoráveis. Minutos que demonstraram que somos parte da mesma trama, tecendo pontos cruzados no bordado da vida.  
Nascido a partir da leitura de três contos da obra Primeiras Estórias do grande escritor regionalista João Guimarães Rosa, O Crivo não tem a pretensão de contar quaisquer histórias de A Terceira Margem do Rio, Nada e a Nossa Condição e O Espelho. Porém exige de nossa sensibilidade, de nossa percepção individual acerca de cada movimento. Fato notório que a Arte não se utiliza de códigos diretos, de imagens nuas e cruas. Cabe ao Ser que a complementa com sua interação amaciá-la, (des)contruir sensações naqueles caminhos nunca antes visitados.
E foi assim - perceptível pela sua travessia durante o espetáculo, que os alunos (des)contruíram sua ideia de Arte. Naqueles instantes, os estudantes se comoveram com a vida daquelas duas personagens, dois homens que, em um primeiro momento, nos mostraram a dependência que temos do Outro e como é difícil rompermos o vínculo. Os movimentos dos corpos colados, entrelaçados como pontos de bordado, sua harmonia e/ ou desmantelamento desta, atiçaram os burburinhos e, em segundos, veio o silêncio advindo da inquietação. Aprendemos a caminhar sozinhos, mas o Outro está sempre ao nosso lado e o arrastamos conosco apesar de necessitarmos de solidão. No segundo momento, percebemos o voo do homem, que mesmo se sentindo livre, espelha no Outro suas angústias, suas ações, seu querer, sua alegria, sua dor. Afinal, somos todos parte do crivo, dos mesmos (des)caminhos, dos mesmos fios que tecem o bordado, e é desse modo que enfrentamos a Travessia, a passagem que parece nunca ter fim - apesar desta ser a única certeza, e nos faz sempre seguir adiante com a força de nossas entranhas.
Após os aplausos calorosos, veio a explicação do espetáculo por João Paulo Gross. Olhos ávidos: - Afinal, o que significavam aqueles movimentos, como posso trazê-los para meu cotidiano? Ora, meu caro aluno, se aquiete e apenas os sinta. A arte não é feita de explicações. Se assim fosse, não seria Arte, seria dia-a-dia. Como disse o grande poeta Ferreira Gullar "A Arte existe porque a vida não basta". Apenas deixe que a Arte abasteça sua vida para que ela o transforme no momento correto de sua Travessia. 
Sim. Tentei explicar o inexplicável.

* Por Ísis Luiza de Oliveira Aragão Brito - Professora de Língua Portuguesa.

- Espetáculo "O Crivo"
- Local: Espaço Quasar
- Data: 24 de junho de 2015, às 9h.
- Bailarinos: João Paulo Gross e Andrey Alves
- Direção Geral, Coreografia e Pesquisa de Movimento: João Paulo Gross
- Alunos dos ciclos II e III. Agrupamentos de 6º, 7º, 8º e 9º anos. 

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